Zema e Salles assinam acordo de R$ 100 milhões para acabar com lixões

 O governador Romeu Zema (Novo) participou na tarde desta segunda-feira (17), ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, do lançamento do programa Lixão Zero.

Apesar de a legislação brasileira ter previsto o fim dos lixões há mais de uma década, em centenas de cidades mineiras eles continuam ativos e atormentam milhares de moradores.

No acordo firmado entre os governos federal e estadual serão repassados R$ 100 milhões às prefeituras do Estado, por meio de consórcio firmado com as cidades, para desativar os lixões. 

O montante destinado ao programa foi recebido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em multas pagas pela mineradora Vale pelos danos ambientais causados pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho. 

“Sabemos que isso significa não só redução de danos ao meio ambiente como também mais saúde para a população, já que a disposição inadequada de resíduos acarreta uma série de problemas”, avaliou o governador.

A cerimônia em que foi assinado o acordo aconteceu na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e contou com a participação do presidente da entidade, Flávio Roscoe, e do senador Carlos Viana (PSD), vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso. Cerca de 50 manifestantes protestaram contra o ministro do Meio Ambiente na entrada do prédio da Fiemg. 

Os consórcios entre as prefeituras serão selecionados e receberão financiamento para implantação de usinas de triagem mecanizadas de resíduos sólidos urbanos, onde ocorre a separação dos resíduos. Eles assumem o compromisso de gerir as usinas de triagem e encerrar os lixões em suas cidades. 

Zema afirmou ainda que o recurso chega “em ótima hora” para ajudar na recuperação econômica do Estado. “Significa também movimentação econômica, geração de empregos e menos danos ambientais. Com toda certeza vamos ter um impulsionamento expressivo com todas essas ações”, disse.

Zema lembrou que os R$ 100 milhões disponibilizados vão complementar o total de R$ 1 bilhão recebidos pelo Estado em termo de reparação feito com a Vale, para investimentos em cidades da região do rio Paraopeba, onde centenas de comunidades foram afetadas pela poluição das águas. 

O ministro Ricardo Salles afirmou que melhorar o tratamento de resíduos e o saneamento são fundamentais para o desenvolvimento do país.

“Decidimos colocar os R$ 100 milhões para a agenda do combate aos lixões, agenda de resíduos sólidos, que, junto com o saneamento, são a maior marca do nosso subdesenvolvimento no Brasil. Um país em que 100 milhões de pessoas não têm coleta e tratamento de esgoto, 35 milhões de brasileiros não têm sequer água encanada em casa e mais de 3 mil municípios têm graves problemas de gestão dos resíduos sólidos, que nós, popularmente, chamamos de lixões”, afirmou Salles. 

Problema que se arrasta 

No bairro Viena, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os moradores sofrem há anos com os problemas do acúmulo de lixo a céu aberto próximo a centenas de moradias.

“É uma situação lamentável, o cheiro insuportável, muitos ratos. Chega no fim da tarde e o cheiro é horroroso”, conta o líder comunitário João Luiz Vaz. 

A prefeitura de Neves informou que o aterro encerrou suas atividades há quase dois anos e que “no local funcionava apenas uma estação de transbordo, que também foi encerrada na semana passada (dia 10 de maio)”.

Segundo a prefeitura, os resíduos domiciliares são levados diretamente para um local em Sabará e a secretaria municipal de meio ambiente vem trabalhando no desenvolvimento de um programa para iniciar o plano de reciclagem do lixo na cidade. 

Os moradores, no entanto, afirmam que o local continua recebendo lixo. “Eles dizem que está inativo, mas vemos que continuam jogando lixo. Não posso dizer se é a prefeitura que joga ou quem joga. Mas vimos caminhões descarregando lixo. O projeto que a prefeitura tentou implementar não está dando certo”, cobra João Vaz. Segundo ele, será preciso uma fiscalização maior do poder público para evitar que o local continue recebendo lixo. 

Destino do lixo é problema antigo das cidades brasileiras 

As leis que proíbem os lixões no Brasil existem há vários anos, sendo que a mais importante delas foi aprovada em 2010, chamada Política Nacional de Resíduos Sólidos. O prazo para que os lixões a céu aberto fossem encerrados era até 2014, mas ele acabou ficando apenas no papel. Muitos prefeitos afirmaram que não tinha recursos para resolver o problema da destinação do lixo. 

Em junho do ano passado foi aprovado no Congresso e sancionado em julho pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) um novo marco regulatório do saneamento, que definiu regras e novos prazos para a erradicação dos lixões.

As prefeituras deveriam ter elaborado planos no ano passado sobre como resolver o problema em cada local. E o prazo para a elaboração de um plano com a solução é agosto deste ano. As cidades de médio e pequeno porte terão prazo maior para implementar as medidas - 2023 e 2024, respectivamente. 

A regulamentação do marco do saneamento, no entanto, ainda não foi finalizada pelo governo federal. Faltam definições sobre alguns prazos para que as novas regras de empresas estaduais de saneamento sejam estabelecidas. Muitas das novas regras são consideradas entraves para prefeitos, que reclamam da falta de tempo e de recursos em suas cidades. 

O senador Carlos Viana, que participou do lançamento do programa, lembra que muitas cidades não têm coleta seletiva e faltam recursos para a implementação de programas de combate aos lixões.

“Nesse programa, cerca de 400 cidades mineiras poderão se juntar em consórcios para financiar o fim dos lixões. O dinheiro do acordo com a mineradora Vale vai financiar equipamentos industriais de ponta que ajudam na separação do lixo. Os prefeitos, em contrapartida, terão que ceder o terreno e cerca de 35 pessoas serão treinadas para operar os equipamentos. Daremos tranquilidade a vários prefeitos que estão ameaçados de prisão e daremos às cidades uma alternativa correta e sustentável”, afirmou Viana. 

Fonte: Jornal Otempo.

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4 Milhões de embalagens recicladas


 

Estamos só no aquecimento. Que venham as 10 milhões.
"Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vinceró!
Vinceró, vinceró!"

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Garis, fiscais e PMs de BH celebram cadastro para vacinação: 'Fomos vistos'

 

Há 7 anos na função de gari, Heider Costa presta um serviço essencial à capital mineira. Ele atua ao menos 6 horas diárias na varrição das ruas da Região de Venda Nova, longe do conforto e da segurança proporcionados pelo home office. 

Desde domingo (28/03), o trabalhador deu um passo à frente na longa fila da vacinação contra a COVID-19, já que a Prefeitura de Belo Horizonte anunciou que prepara um cadastro para imunizar os trabalhadores da limpeza urbana, além das forças de segurança e dos fiscais. 

“Estou ansioso, vai nos ajudar bastante. Também somos da linha de frente e agora estamos sendo vistos. A categoria está sendo reconhecida”, comemora o funcionário.

ansiedade é também o sentimento demonstrado por Edson Xavier, que trabalha há cinco anos na coleta de lixo, ao comentar a decisão do município.

“Todo mundo tem medo do coronavírus, né? Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém está querendo morrer!”, brinca o trabalhador.

O capitão da Polícia Militar de Minas Gerais, Guilherme Pantuzzo, diz que a medida vai trazer mais tranquilidade à sua jornada de trabalho, já marcada por tantos riscos.

“É um alívio. A gente se protege. Usamos máscaras e álcool em gel. Mas, muitas vezes, recebemos chamadas em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), hospitais. Em alguns momentos, também é inevitável ter contato direto com as pessoas. Então, a notícia de que seremos priorizados nos trouxe muita alegria”, comentou o policial. 

Cadastramento

O cadastramento para imunização dos trabalhadores de serviços essenciais foi anunciado pela prefeitura nesse domingo (28/03). Segundo o município, os servidores deverão preencher um formulário elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde. A data em que o documento será disponibilizado ainda não foi informada, assim como o dia previsto para vacinação das categorias.

Por ora, o poder público especificou apenas quais serão os profissionais admitidos no cadastro. São eles: 

- Agentes da BHTrans
- Bombeiros militares
- Fiscais da Secretaria Municipal de Política Urbana
- Fiscais de Controle Urbanístico e Ambiental
- Guarda Municipal
- Polícia Civil
- Polícia Federal
- Polícia Militar 
- Trabalhadores da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).

Fonte: jornal Estado de Minas

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Seja bem vindo a sustentabilidade


 

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Mais de 3 milhões de embalagens recicladas

 Em 2020, atingimos a marca de 3 milhões de embalagens pós consumo recicladas. O equivalente a 90 toneladas que deixaram de ser descartadas em aterros sanitários ou mesmo no meio-ambiente.



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Examinando: por que lixões são tão preocupantes quanto uma pandemia



Série Examinando mostra o que é o novo marco do saneamento e como ele pode ajudar a resolver o problema do lixo no Brasil


Uma montanha de mais de 20 metros formada apenas de lixo. Um cheiro ruim muito forte, bichos como moscas e ratos por toda a parte. Esse é o cenário de um lixão a céu aberto. O método de descarte de resíduos é proibido no Brasil por várias leis, mas a realidade mostra que o problema está longe de ser resolvido. 

A aprovação pelo Congresso do chamado novo marco do saneamento básico pode ajudar senão a acabar com o problema dos lixões, pelo menos a acelerar a redução desse modelo que prejudica o meio ambiente e a sociedade. Examinando mostra o que é o novo marco do saneamento e como ele pode ajudar a resolver o problema do lixo no Brasil, que pode causar tantos prejuízos quanto uma pandemia. 

Uma lei aprovada há dez anos é a mais importante na tentativa de acabar com os lixões a céu aberto no Brasil. Pelo menos, até agora. A Política Nacional de Resíduos Sólidos determinou um prazo até 2014 para que todos os vazadouros clandestinos de lixo a céu aberto fossem encerrados. Mas como a gente bem sabe, na prática, a norma não trouxe resultados. O país ainda tem quase 3 mil lugares de descarte ilegal de resíduos. 

Uma nova lei aprovada pelo governo em junho deste ano promete ajudar na redução do problema. A medida é urgente. O país produziu 79 mil toneladas de lixo em 2018. Desse total, 8% não foi coletado, ou seja, ficou jogado pelas ruas, praças e rios no país. Da parte que é coletada, quase metade é descarregada em lixões ou aterros que não contam com medidas necessárias para garantir a integridade do meio ambiente e a da população local. 

Mas porque é tão importante arranjar uma solução. Acontece que o descarte de resíduos nos lixões pode ser tão perigoso para as pessoas quanto uma pandemia. A prática pode gerar muitas doenças sérias e contagiosas, além promover a disseminação de ratos, baratas e moscas nas casas e comércios ao redor. E ainda que o problema regional seja muito grande, nada impede que isso também se espalhe e atinja às grandes cidades.

Sem falar na contaminação da água. O lixo acumulado a céu aberto produz um líquido chamado chorume, que é tóxico e contaminado por toda aquela mistura de resíduos que contém bactérias, fungos e vírus. Como o material fica exposto na terra, esse líquido penetra no solo e chega até os lençóis freáticos, que são como rios subterrâneos, e é de onde vem a água que usamos no dia a dia. E como se tudo isso não fosse suficiente, os lixões também poluem o ar com a liberação de gás metano que surge das reações químicas dos resíduos embaixo de sol e chuva. 

De modo geral, a aprovação do novo marco regulatório do saneamento básico definiu novas regras para a universalização dos serviços de água, esgoto, e também para erradicação dos lixões. Foram estabelecidos novos prazos para que as prefeituras adotem meios inteligentes e sustentáveis de descartar o lixo. Pelas novas regras, todos os municípios devem apresentar até o último dia de 2020 um plano para acabar de vez com os lixões e como pretendem financiar isso. Cada cidade pode optar pela criação de uma taxa. E o problema deve estar resolvido até 2024. Ou seja, em 4 anos não deverá existir mais nem um único lixão no país. Será que vai dar certo?

Que o descarte a céu aberto é proibido nós já sabemos, mas então qual é o certo a se fazer com o lixo? A coleta seletiva, que separa os materiais recicláveis, e a transformação dos restos de comida em adubo orgânico são algumas das opções. A diferença entre um lixão e um aterro sanitário é que no aterro, antes de se jogar o lixo, o solo é tratado com substâncias que evitam a passagem do chorume para a terra e para os lençóis freáticos. Também tem um sistema de canalização dos gases formados no lixo e eles não são liberados direto na atmosfera. 

Mas o novo marco do saneamento básico não muda apenas as regras sobre os lixões, também trata sobre a universalização da água e esgoto encanados. Só metade dos brasileiros tem esse serviço. E a nova lei prevê que todos tenham acesso até 2033. Além disso, o marco regulatório também abre espaço para que empresas privadas ofereçam o serviço de saneamento para a população. Hoje, os contratos são estabelecidos diretamente, e sem concorrência. 

O lixo e a falta de saneamento são grandes problemas que trazem muitos prejuízos ao Brasil. As novas regras para mudar a realidade foram aprovadas, agora resta saber como elas serão aplicadas e quais serão as mudanças.

Fonte: Exame
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